quarta-feira, 28 de abril de 2010

Uma testemunha da situação

Talvez, essa denúncia explique o porquê de nós sermos tão desinformados a respeito do que realmente acontece na sociopolítica nacional, e, claro, ao nosso redor e não podemos saber.



Acho muito sem graça o programa deste cidadão, mas também esta denúncia pode absolvê-lo, junto com seus colegas e equipe de produção. Pois, coitados, fazem as piadas que o "rei" deixa.

sábado, 24 de abril de 2010

O que parece ninguém quer ver

Há coisas que parecem ser esquecidas, e também parece que ninguém tem coragem ou vergonha na cara de falar. Esta gravação não foi ao ar. Por quê? Adivinhem.



É válido salientar que não sou e nunca fui eleitor do Serra. Mas muito menos serei dessa turma citada pelo ator.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O que pode ser maior que a amizade?

A cidade naquele tempo ainda tinha calçamento só nas ruas principais. Era uma típica cidadezinha do interior, igual a qualquer outra. Praça rodeada pela Igreja, Correio, Banco e algum comércio. Os moradores, é claro, não eram os mesmos de outras cidades, mas os assuntos e as fofocas não os deixavam muito diferentes. Aquele lugar, para alguns, se não era o fim do mundo estava no caminho, porém para outros era o próprio paraíso. Para Saulo e Vilsinho era até mais que o paraíso.
Os dois meninos nasceram naquele lugar e ali descobriram as melhores sensações da vida, aquelas que a pessoa vive na infância e adolescência e por serem entremeadas por tantos outros bons momentos não passam de acontecimentos fugazes que depois são lembrados muitas vezes com saudade por toda a vida. Eram vizinhos, tinham quase a mesma idade, Saulo era um ano e meio mais velho que Vilsinho e por isso mantinha uma natural liderança entre a dupla, apesar do mais novo sempre dar demonstrações de que era mais esperto no colégio, pois eram colegas já que Saulo era repetente e, também na vida. Esse entrosamento permaneceu até os 17 anos e meio completados de Saulo, pois depois, exceto por algumas cartas no início, não mantiveram mais contato, devido ao o pai de Vilsinho ter sido promovido e fora morar na capital levando a família, naturalmente. Saulo continuou ali, respirando o mesmo ar de sempre e como sempre vivia feliz, pois era aquilo que conhecia e o satisfazia. Havia casado e tinha um filho de três anos.
Naquela manhã ele ficou ainda mais contente quando no meio de suas correspondências avistou uma carta com aquela letra que reconhecera um pouco melhor, mas que era aquela mesma de vários anos de estudos e, é claro, de muitas colas passadas. Então, ao ler o remetente confirmou com euforia que sim, era o seu amigo que após muitos anos voltava a se comunicar. A felicidade transformou-se em euforia quando ao ler soube que no final de semana o seu velho amigo faria uma visita breve à cidade. Entrando em casa, já foi logo falando em voz alta para a mulher que estava na cozinha:

- Meu amor, lembra do Vilsinho? Meu amigo de infância... - falava quando foi interrompido pela mulher.

- Não fala tão alto, Saulo, o menino está doente e faz pouco, pegou no sono.

Então, ele ao chegar à cozinha recomeçou em tom mais brando.

- O Vilsinho, lembra? Ele me mandou esta carta e disse que vem me visitar no final de semana, vamos fazer um bom jantar para ele e, daí como ele disse que está de férias se insistirmos quem sabe ele fica mais um tempo.

E ficou uma boa meia hora falando sem parar no amigo à mulher. Só parou porque ela não se mostrava muito empolgada e disse que viajaria com o bebê para a casa da mãe dela que estava de aniversário, mas que entendia a situação e não se importaria se ele ficasse para recepcionar o amigo.
Aquela semana foi toda assim, Saulo contando feliz que o velho amigo lhe escrevera e viria visitá-lo. Repetia que o Vilsinho sempre fora uma pessoa fiel, educada, inteligente e humilde. Muitos conheciam e lembravam-se do antigo colega e sabiam que realmente ele era uma boa pessoa, mas Saulo parecia que a cada ano que passara ele aumentara a admiração pelo amigo.
Então chegou sábado, Vilson chegaria às 17 horas e 10 minutos de ônibus. Saulo pensava: “É um homem humilde, deve estar bem, mas prefere vir de ônibus para não parecer arrogante”. Enquanto se vestia, lembrava de como Vilsinho não era egoísta e, emprestava seus melhores brinquedos, pois o pai de Saulo não tinha tantas posses como o do amigo. Ria ao lembrar-se do cavalheirismo do companheiro com as meninas e, quantas ele havia conseguido dar uns beijos devido à “ajudinha” retórica desse menino que agora era um homem, pois nem parecia, mas havia passado 14 anos. Terminou de se arrumar e foi à rodoviária buscar o grande amigo.
Vilsinho sempre fora mais baixinho que Saulo, além de ser mais introspectivo que o amigo, que era engraçado e agradável com todos. Vilsinho pensava e Saulo que era mais sociável e tinha mais facilidade de comunicação colocava em prática. Uma dupla e tanto. Por isso que quando um homem alto e espadaúdo, com cabelos negros e lisos, que por serem vastos dava um ar de pessoa forte, desceu do ônibus Saulo quase não o reconheceu. Apenas confirmando quando ele disse:

- Então aí está o grande Saulo das meninas! Mas como está feio.

Saulo deu um sorrisinho de canto de boca, que saiu devido à mistura de surpresa pela imponência do amigo e, pela quase vergonha de estar com uma aparência tão pior, mas Vilson nem notou e foi direto dando um acalorado e longo abraço, o qual fez com que o sorrisinho tornar-se um grande e largo sorriso.

- E então, como está a capital da nossa infância? O que há para fazermos? As meninas ainda continuam bonitas? – E dava risada indo em direção ao bagageiro.

- Estou casado, Vilsinho – Saulo respondeu sério.

O elegante amigo parou, olhou e disse já rindo.

- É tem umas que conseguem derrubar um grande homem, mas isso é remediável – E riu outra vez.

Mais uma vez sem risos veio a resposta.

- Tenho um filho. Ele tem três anos.

A surpresa do visitante foi notada por todos que ali estavam

- Mas seu traidor. Como é que faz um filho e não me avisa?

E antes que houvesse alguma resposta Vilsinho concluiu.

- Estou brincando, sei que me ausentei. Mas enfim, que bom! Uma notícia boa ao menos – E lançou ao amigo um olhar debochado.

Saulo fingiu não entender a piada maliciosa, ou talvez, não tenha acreditado que o amigo fosse capaz de ter mudado tanto assim, a ponto de desvalorizar uma coisa que ele tanto gostava e se orgulhava. Então seguiu sério, mudou de assunto e perguntou amenidades sobre a viagem enquanto ia ajudando Vilson com as duas malas bem pesadas. Foi aí que lhe ocorreu de perguntar se o amigo estava de passagem, o porquê de tanta bagagem.

- Sabia que não ia ficar só um dia aqui, ou não traria tanta bagagem, não?

- Havia lhe dito na carta que estava de passagem, tenho outros lugares para visitar, e como aqui era caminho não havia como não matar a saudade do amigão - disse arrumando uma das malas no ombro.

O caminho até a casa não era longo, mas o visitante não parou um segundo de falar, por isso acabou descobrindo que a mulher e o filho de Saulo estariam viajando. O que o deixou desapontado e um pouco triste, pois queria conhecer o filho e ver como o “Saulo das meninas” se comportava perto da esposa. Mas, esse desapontamento foi coisa de segundos e para encerrar esse sentimento falou:

- Bom, não vais ser dessa vez que verei o Saulinho, mas por outro lado estamos livres para fazer uma festinha e, afinal, tenho saudades de algumas beldades daqui.

Saulo riu e disse recuperando a seriedade:

- Você não tem jeito e saiba que as tais beldades também casam. Você não?

Vilsinho soltou uma gargalhada.


******************

Enquanto o velho amigo tomava banho, o anfitrião organizava a janta e preparava o seu melhor vinho para os dois beberem, pois a noite seria das mais agradáveis além de terem muitos assuntos atrasados para colocarem em dia. Ouvindo o barulho do chuveiro, Saulo tentava tirar da cabeça o fato do amigo ter mudado tanto fisicamente e, parecer tão elegante de aparência e não ter constituído família, “será que ele está bem de dinheiro?”, pensava. Então lhe ocorreu que Vilson poderia estar precisando de dinheiro, ou quem sabe envolvido em alguma enrascada. “Amigo é para isso”, pensou em voz alta e decidiu não tocar no assunto, só se o amigo quisesse. Seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de Vilson na cozinha, esta que era ampla, pois a mulher de Saulo era de origem italiana e gostava de ficar boa parte do seu tempo na cozinha, o marido acabou se adaptando, assim como em muitas outras coisas; pelo casamento.

- Gostei da tua casa, é aconchegante mesmo, parece a casa das nossas avós – falou Vilsinho.

- Pois é, gosto daqui mesmo.

E a partir daí sentados naquela grande mesa, que ficava bem ao centro, o papo e o vinho eram derramados aos litros. Tinham que matar a saudade, Saulo se revigorava ao lembrar de coisas sobre ele que havia esquecido. As reminiscências eram tantas, realmente falavam de um passado tão bom, riam de uma vida que só o que se tinha era a vontade de viver o momento e, com toda a certeza do mundo, esperar pelo certo futuro próspero. Eram porres, transas, brigas ganhas, fugas de brigas... tanta coisa que levaram nisso mais de horas e duas garrafas de vinho. Foi tão bom que não chegaram a cogitar o presente, o passado de Vilson e o futuro. No entanto, o bom nunca se afasta tanto que outros ruídos que atrapalham a harmonia deixada no ar. De repente, o amigo que estava ali de visita falou em tom vago:

- Pois como pode o rapaz que era esperto, se dava bem com todos e tudo, além de traçar as melhores mulheres da cidade se contentar em ficar aqui, assim?

Na hora o sorriso de Saulo foi substituído por um olhar sério.Vilson vendo que tinha falado algo que ofendera o amigo, tentou consertar:

- Eu sei amigão, você fez a sua escolha, e, quem sabe qual é a certa? Só saberemos algum dia, mas não agora – E abriu os braços oferecendo-se a um abraço.

Saulo sorriu, concordou com um movimento de cabeça e falou:

- Falamos, falamos e esqueci de perguntar. E você, a última vez que soube, havia tornado-se um bacharel em direito, está trabalhando muito?

- Sabe, Saulão, que mal cheguei a trabalhar como advogado. Tinha um dinheiro guardado e investi na bolsa, então dei um pouco de sorte – falou rindo – e multipliquei um bom pouco esse dinheiro.

- Hum...você sempre foi esperto em matemática – disse Saulo não demonstrando surpresa.

- Pois é, mas a bolsa é coisa muito perigosa, vendi a maior parte e resolvi comprar imóveis. Isso sim é segurança! Todo final de mês o meu dinheirinho tava lá... – disse Vilson até ser interrompido pelo amigo.

- “Tava lá”? Vai me dizer que mudou de ramo mais uma vez?

- Não, não mudei. Vendi algum imóvel e comprei um caminhão, o que está me dando um bom lucro, tão bom que essa viagem é para ir a uma cidade vizinha comprar outro e, se tudo correr vou aumentando a frota e cresço nesse setor de transportes.

- Investe na bolsa, tem imóveis e vai ser empresário no setor de transportes? Deve estar tirando uma grana grossa, meu amigo – Falou Saulo e logo depois deu um assobio, desta vez mostrando surpresa.

- É, não se pode ficar parado na mesma – disse Vilsinho sorrindo.

Os dois ficaram em silêncio quase um minuto, Saulo secou a sua taça de vinho, fez sinal para o amigo fazer o mesmo, que o fez, então esvaziou a garrafa enchendo as duas taças.

- Toda essa vida e não tem mulher, não tem filhos? – disse Saulo, em voz baixa e encarando o amigo.

Depois de soltar uma gargalhada, Vilson respondeu:

- Para que, meu amigo velho? Filho até quero ter, mas mulher...? Não preciso – e rindo – aliás, preciso demais, por isso uma não me é suficiente. Tenho problemas demais no trabalho e elas não conseguirão resolver e tampouco eu conseguirei resolver os delas. Concorda?
- Não concordo, mas não discordo – respondeu aquele homem morador daquela cidadezinha tão acolhedora.

E mudando o tom da conversa com uma cara de criança que aprontou todas, disse aquele que morara há anos atrás na tal cidade:

- Tá, mas não falemos de assuntos maçantes. Tenho que te contar sobre umas viagens e umas mulheres que tu não vai acreditar.

Ali naquela casa onde Saulo depositara todo o seu futuro e orgulhava-se tanto do marido e pai que era. Vilson continuou com entusiasmo contando as suas peripécias, enquanto o amigo só escutava e fingia rir. Isto demorou pouco mais de meia garrafa de vinho até o anfitrião anunciar que estava com muito sono e precisava dormir. Vilsinho lamentou, mas nada pode fazer.

******************************

Já era 11 horas da manhã quando a esposa de Saulo chegou com seu filho. Não ficou contente com a bagunça que encontrara na cozinha. Taças e pratos sujos, mesa e toalha manchadas, então foi rápido ao quarto acordar o marido. Abriu as cortinas e o sol inundou o quarto quee parecia conseguir cutucar Saulo.

- Que horas é? – Disse Saulo.

- Quase meio dia, que vergonha – Respondeu ríspida a esposa.

- Vilson ta aí, meu amor, dá um desconto.

- Acho que estava, tem um bilhete lá em cima daquela bagunça que vocês deixaram – Falou a mulher e fez um movimento negativo de cabeça.

Então o marido levantou-se, a cabeça doía, e foi até a cozinha. Encontrou o bilhete de Vilsinho que dizia o seguinte:

“Amigo Saulo, fico feliz por a nossa amizade continuar intacta. Desculpa, mas tive que sair cedo, pois a vida me chama. Mande lembranças para a tua esposa e a próxima vez que eu vier trago uma lembrancinha para o menino. Do amigo Vilsinho.”

Então, com aquele bilhete na mão, Saulo lembrou de tudo o que ocorrera na noite passada, toda a vida que passou por seus sorrisos e palavras. Ficou em silêncio olhando aquele pequeno papel. O que acontecera com ele? O que acontecera com Vilson? Não sabia, mas sentiu uma coisa ruim no seu peito.

- E então, como tá o teu grande amigo? – Perguntou a sua esposa vindo em sua direção com o filho e uma mamadeira.

Pegando o seu filho e a mamadeira para dar-lhe de mamar, analisou a criança, pensou um pouco e respondeu:

- Não sei, o Vilson não é o mesmo. Está muito arrogante.

terça-feira, 13 de abril de 2010

The Beatles - In my life

No dia 10 de abril de 1970 o mundo via a banda mais influente de todos os tempos se desfazer. A data só não é tão triste devido ao legado que essa rapaziada deixou (Inclusive o lançamento que aconteceria 24 anos depois). Uma das coisas que mais me interessam é a música, então nada mais justo que ela ser assunto do blog e, nada melhor que iniciar falando desta data e homenageando esta banda:

Oasis - Supersonic

Coincidentemente, ou não, no mesmo dia 10 de abril, só que de 1994, essa banda de filhos de operários de Manchester lançou o seu primeiro single, "Supersonic". Assim lançava-se a importantíssima banda Oasis:

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cavalidades e Individualismo

Leiam este pensamento: “Se quem dá coices são os cavalos e não a cavalidade, do mesmo modo quem age é o homem concreto e não a sociedade”. Forte, não? Realmente para alguns à primeira interpretação vai parecer que é uma ideia bastante drástica. Estas palavras foram escritas pelo filósofo Olavo de Carvalho e tem bastante peso retórico e também toneladas de esclarecimento sobre como viver, ou pelo menos o princípio de como seria para existir um mundo melhor. Explico a minha opinião a seguir.
Fala-se muito, atualmente, no individualismo do ser humano e de como por ser assim este é egoísta. A vida individualista do atual sistema é um monstro de sete cabeças que come criancinhas, no entanto, isso nada mais é do que a repetição do que a grande mídia excessivamente repete. Mas, a única forma de que haja um mundo melhor é de que comece pela individualidade do homem, pois a partir dele é que começa as transformações, baseadas no saber de que cada indivíduo possui seus direitos e deveres.
Quem pensa no comum, acredito que comete o erro de ver o cidadão apenas com direitos a ser atendidos, desta maneira, acredita que todos têm o direito de viver bem e de ter uma vida que todos sonham. Mas não, esquecem-se que o direito que temos é de buscar como viver bem, ou seja, cada um, da forma que achar correta, é autorizado alcançar esse objetivo. Se o cidadão acha que será feliz tendo quatro filhos, uma mulher e ganhando 50 mil reais por mês, ele tem o direito de trabalhar para que isso seja possível. Só que para isso não se pode esquecer que assim como temos direitos, temos deveres.
E é nos deveres que quem fala mal do individualismo, me parece, começa a não entendê-lo. Pois pense se cada um fizesse tudo correto, usasse seus direitos para crescer e fazer crescer a sua família respeitando e cumprindo os seus deveres, o mundo não seria melhor? Cada pessoa pode crescer e ser correta, sem desrespeitar ninguém e, se cada um tiver a consciência do que é certo e o que é errado, (e isso não é difícil, pois o habitual é que começaríamos aprender isso quase no mesmo momento em aprendemos a falar) TODOS viveriam bem.
O individualismo da sociedade atual, se fosse feito por pessoas corretas, só fomentaria o desenvolvimento, pois ao invés de haver atentados ao crescimento do outro cidadão cada qual buscaria o seu lugar na sociedade. É claro, aumentaria a competitividade, mas isso não é bom? Até as plantas em uma janela mudam de posição para buscar o melhor lugar ao sol, porque o homem não pode competir saudavelmente? Então, acredito que o filósofo Olavo de Carvalho quis dizer em sua retórica que não adianta teóricos, pseudo-pensadores e políticos virem com teorias baseadas na mudança da sociedade em sua amplitude, que não será por aí o caminho da transformação.
A mudança virá da tão famigerada individualidade, da tão famosa honestidade e não da mudança de sistema e nem da intervenção estatal enxertando políticas medíocres de assistência social, pois isso não é desejar um mundo melhor, é sim um plano de poder, mas isso deixemos para outro texto.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sentinela

A velha rotina era a mesma quase todos os dias. O homem que fora funcionário público agora está aposentado e, apesar de ele não acreditar nisso, é um alcoólatra. É viúvo de um casamento infeliz o qual mesmo assim resultou um filho, este que não faz questão nenhuma de ver o pai, pois passaram a vida inteira brigando. Mas isso já não interessava para o homem, ele era satisfeito com a sua rabugice solitária e, quase todos os dias no início do crepúsculo dirigia-se ao bar.
Naquele dia fez o mesmo de sempre. Tomou um banho e caminhando tranquilamente desceu a rua para tomar a sua bebida. O dono do estabelecimento já sabia o que ele queria e onde ele gostava de sentar. Já estava tudo pronto como sempre. O homem era um observador, sentava na sua mesa e observava. Por isso, quando passou aquela moça de cabelos compridos e lisos de uma cor que os deixavam parecidos com uma cortina negra e brilhosa, ele já sabia que ela não estava perfumada somente por asseio. Então, maliciando falou a quem estava ali no bar:
- Alguém sabe a quem pertence esse perfume – e riu sarcasticamente.
O perfume pertencia a um morador do prédio da esquina, o qual a mulher era freqüentadora assídua de um centro religioso que existia nas proximidades, então a bela morena sabendo disso ia até o apartamento que lá se encontrava o marido sedento de prazer. Tinham uma hora de sexo pouco carinhoso, porque o amante ainda amava a sua mulher, porém a moça dos cabelos lindos o seduzira e realmente ela era uma insaciável. O “coitado” cedeu à tentação. E o observador homem sabia de tudo isso e mais, tanto que talvez com um pouco de inveja disse no bar:
- Ele aguenta porque sei o remedinho que ele compra na farmácia.
Ninguém lhe escutava, ele era um chato e arrogante, além de ser fofoqueiro. Então ali ele seguia na sua incansável tarefa de espião de ninguém. Sabia também do arcano que era guardado pelo garotão que sentado na sua motocicleta, expunha seus músculos como um pássaro que canta o canto do acasalamento. Não comentou nada com ninguém desta vez, pois achava que ninguém tinha inteligência o suficiente para ver as coisas como ele, no entanto, sabia que aquele símbolo da virilidade apenas fazia pose, pois tinha problemas com a sua ereção, e isto ele descobrira escutando uma moça contar a outra, em tom de segredo, entre as prateleiras do mercado.
Pediu mais uma bebida, a esposa traída passou para casa e um pouco a frente do bar se cruzou com a traidora e até se cumprimentaram, ele ria sozinho, se divertia. Não conversava com ninguém, mas se divertia se achando uma pessoa esperta que sabia da vida. Ele era assim, gostava de saber de tudo, falava mal do dono do bar que não sabia cuidar das suas finanças, falava mal do dono de uma loja que bebia demais ali no bar, para todos tinha um dossiê sujo na sua cabeça, e, assim ia passando seu tempo.
Naquela noite os acontecimentos que tinham que acontecer, aconteceram. Então aquele dia tinha terminado, pediu para o dono do bar anotar o que tinha bebido, já estava bêbado, mas pegou mais alguma para beber em casa. Então, levantou-se e sem se despedir de ninguém foi embora, pois ainda tinha mais outros e outros dias para ele, sentado, observar a vida passar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Retorno à escrita

A falta de tempo é uma grande adversária da escrita, e no meu caso ela tinha encontrado uma aliada, a preguiça mental.
Porém, surpreendentemente a escrita se aliou a algumas adversidades e a inspiração ou vitória da escrita, como preferirem, aconteceu.
Azar é de quem ler. Comentários são bem vindos...SEMPRE!

Da morte à vida

4 de março de 2010

Quando ele abre os olhos ao acordar nem pensa sobre a vida, sua mente já está automaticamente induzida a pensar o mesmo que pensa todos os dias. Abre os olhos assustado. Assimila que tem que desligar o despertador, desliga. Levanta e se espreguiça. Do escovar os dentes até a saída pela porta a rotina é precisamente a mesma. Se alguém dissesse que ele faz dormindo, poderia se acreditar.
Até o caminho ao trabalho é o mesmo, exceto pelo tempo que é mais original que ele próprio, muda às vezes. Os cumprimentos, as piadas, as risadas e até mesmo as xingadas do patrão se repetem. Invariavelmente, de segunda a sexta acontecia a mesma coisa. E durante todo esse tempo o que ele mais aguardava era o sábado e o domingo, como se fosse fazer algo extraordinário.
O sábado e o domingo sempre chegavam. E daí? Nada! No sábado locava um filme, muitas vezes algum clássico, quase sempre algum clássico, pois não queria arriscar de locar alguma novidade, e perder o seu precioso tempo assistindo alguma porcaria. Algumas vezes fazia uma janta, em outras encomendava uma pizza, mas sempre tomava um porre pela madrugada adentro. Era um homem de boa cultura, pois lia bastante, aliás, era até inteligente, todavia não a usava muito, a não ser nessas madrugadas de sábado para domingo que desvendava os problemas mundanos e sociais...para ele mesmo. Então dormia. No domingo, de ressaca, acordava, arrumava a bagunça da noite anterior, comia o resto da comida e recomeçava antecipadamente o martírio semanal, pois a partir do marasmo que é o domingo ele já começava a penar pensando na semana que viria.
Ele já vivera de outra maneira, mas alguém que manda em tudo lhe tirou peças importantes para sua vida ser algo empolgante e feliz. Aos poucos, devido a certas ausências o rapaz foi mudando, foi tornando-se insuportável e o mundo foi virando “um cara” medíocre e chato. As mudanças foram tão naturais que ele nem notou, a tristeza, que aparecera como um fugitivo que entra de abrupto procurando abrigo, se acomodou de tal forma com a sua hospitalidade, que quando a alegria foi embora levando sua bagagem, ele nem notou. Esqueceu que um dia ela o habitara.
Assim viveu anos e, isso não o incomodava, pois algo aconteceu cognitivamente com ele que esquecera totalmente como viver de outra forma. Era uma pessoa neutra, vivia porque tinha que viver, ou melhor: sobrevivia.
Mas a vida é inexplicável, é soberana. Seus ventos mudam sem aviso prévio e sem que possamos entender os motivos, lá no final ela deve apresentar as justificativas para os seus caprichos. Possivelmente, por isso certo dia ele abriu os olhos e pensou sobre a vida - tinha tido uma noite esquisita, agitada, desligou o despertador e seguiu pensando na vida. Não se espreguiçou e foi escovar os dentes, pensando, mas na frente do espelho concluiu os seus pensamentos. Sorriu, e fazia tempo que aquele espelho não refletia um sorriso, então se escovou, vestiu-se e foi rumo ao prédio onde trabalhava.
No prédio, entrou, sorriu ao porteiro que estranhou esse comportamento e mais ainda porque vinte minutos depois ele desceu com cara de alegre e deu um “Tchau!”.
Ele foi viver!

Da vida à felicidade

4 de março de 2010

Seu nome era Carlos e não se sabe a razão, mas naquela manhã estava gostando do seu nome, repetia, “Carlos! Carlos!” enquanto caminhava decidido pela rua. Carlos estava voltando de onde tomou uma decisão determinante em sua vida, e, completamente entorpecido por um sentimento que não sabia qual era, voltava para casa.
Chegou em casa fez uma mala não muito grande, procurou algum número que estava na sua lista de telefones e anotou em um papel, colocou a anotação na carteira, colocou no bolso, pegou a mala, trancou o apartamento e se mandou para resolver pequenas coisas no banco. Quatro horas da tarde, ele já estava dentro de um ônibus que levava a uma cidade bastante distante. A cabeça de Carlos rodava muito mais rápido que os pneus do ônibus e, ele sorria, ele ria, ele gargalhava, por quê? Não conseguia calcular o tamanho da sua atitude. Cada vez que pensava que era loucura, pensava “Ah! Às favas!” e pensava em outras coisas, ou deliciava-se com o vento que empurrava sua cabeça contra o banco. Ouviu vozes:

- Fecha essa janela, imbecil!

E ele sorria e pensava “É, eu realmente sou um imbecil”.

Já havia rodado quilômetros, já haviam passado muitas horas quando ele chegou naquela cidade tipicamente do interior, pela janela Carlos via alguns moradores e não tinha como não reparar na cara de inocência, na cara de quem vive bem a vida simples daquela gente. Ele respirava fundo, e cada vez mais tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa. Desceu na rodoviária, pegou a bagagem e decidiu ir a pé até o seu destino. Divertia-se cumprimentando as pessoas que lhe respondiam, porém com uma cara de que não tinham certeza se conheciam aquele homem. Um velho chegou a virar para trás e o reconheceu, mas quando teve certeza Carlos já ia longe.
Aquela senhora quando abriu a porta não estava preparada para ver Carlos assim, tão surpreendentemente. Quase que tudo se estragou. Passado vinte minutos de recuperação o filho conseguiu recuperar a mãe que estava radiante de felicidade e, só abraçava e beijava a sua cria. “Eu sou um imbecil mesmo”, pensava ele, “poderia ter vindo aqui mais vezes” e ia desafogando a velha da sua inundação de alegria.
A mãe de Carlos era viúva e agora tinha além dele outro filho que morava numa cidade próxima, e a visitava seguidamente. Mas além de fazer tanto tempo que não o via, este era o seu filho mais novo, o que por morar longe deveria sofrer mais. Passado o momento do frenesi da chegada, começaram as perguntas, no entanto Caio – assim que ela o chamava, pois ele se autoapelidara por não saber pronunciar o nome quando era bebê – fugia das perguntas dizendo que estava com fome e cansado, depois responderia com calma. Comeu e foi dormir na sua cama de quando ainda era adolescente.
Ao acordar, pensando em como era bom estar ali, sentiu cheiro de comida. A mesa já estava posta e, mal chegou, a mãe já começou a tagarelar. Os vizinhos e as tias de segundo, terceiro e quarto graus já sabiam da visita. Carlos mal ouvia. Parou só quando ela disse:

- Liguei para o seu irmão, sabe como ele é...não falou quase nada, mas disse que no final de semana vem te ver.

- No final de semana já não estarei mais aqui, mãe. Vou abrir um negócio na praia de Paradiso – Falou Carlos.

A empolgada a velhinha parou o que estava fazendo e olhou Carlos com um olhar de quem não acreditava. Mas logo depois dessa reação, notando que o filho não ficara confortável, mudou o tom e perguntou mais descontraída:

- Mas e o seu trabalho lá na cidade?

- Larguei – Ele respondeu ao beliscar a comida que ela servia, e logo depois fez um gesto para que ela não se preocupasse.

Comeram tranquilamente. Na janta lembraram coisas do passado, riram das molecagens e das brincadeiras “desses guris” como dizia ela. Tudo correu bem, a harmonia parecia perfumar o ambiente. Foram até tarde conversando, até que a velha adormeceu. Carlos a acordou e ela foi dormir na cama. Ele tomou mais algumas taças de vinho e foi dormir também. O irmão de Carlos achou muito ruim a atitude do irmão, que ao sair pela manhã só deixou um bilhete avisando que fora embora sem ao menos se despedir, sem falar na atitude de largar o emprego para se aventurar em um negócio incerto.
Mas Carlos queria aventura mesmo. Chegou à praia e a primeira coisa que fez, foi comprar uma moto possante, pois sempre sonhara ter uma - porém as pessoas o censuravam. Então após abrir o seu negócio ele seria seu chefe e sairia a viajar por onde quisesse. Em busca desse objetivo, passado um mês no local Carlos estava com o seu bar de portas abertas, pois ele tinha economias. O que vendia já lhe sustentava sem luxos e, foi assim, sem preocupações, por anos. Todos gostaram do seu jeito, meio sério, meio divertido, “ele parece que sorri para tirar o atrasado” disse um cliente.
E passou um ano desde a abertura do bar Ventura. O bar ia bem porque o dono estava bem, e o dono não precisava de muito lucro, ele precisava outra coisa. E aconteceram várias! Carlos teve muitos amigos, viveu paixões, riu, chorou, abraçou sinceramente e tudo como alguém que encontra água no deserto e pensa só em beber. “Eu sou um imbecil” dizia ele gargalhando aos amigos quando estava bêbado.
Passou pouco mais de um ano, e uma “ardência” que havia tempos incomodava seu coração agora ficara insuportável. Carlos tinha que ver a sua mãe e seu irmão, era tempo disso. Talvez propusesse que viessem visitá-lo? Não, ele pegaria sua moto e iria dessa vez. Ligou para o seu irmão e combinou.
De manhã cedo pegou a sua moto e encarou a estrada. O encontro da família não poderia ser melhor. O irmão de Carlos ficou meio desconfiado à primeira impressão pelo seu sustento, mas depois esqueceu por ver como o irmão estava bem, até pediu conselhos e prometeu que iria levar a mãe, mulher e filhos deles lá "na sua praia", e, noutra vez iria sozinho. Diante de tudo isso a realização da mãe era plena por ver que a sua vida estava novamente se encaminhando como ela pedira nas orações. Na última noite os dois irmãos beberam bastante, confraternizaram e saudaram a vida que estavam levando. Já era tarde quando o irmão dele se despediu, pois um dos filhos chorava e a esposa o chamava. Carlos tomou mais meia garrafa de vinho e decidiu não cumprir o que tinha prometido, depois que abriu o Ventura aprendeu a confiar em si, e achou que se saísse aquela hora ainda chegava para abrir o bar em um horário bom para a clientela. Deixou mais uma vez um bilhete, o irmão até escutou o ronco do motor da motocicleta, mas achou que ele fosse pegar mais vinho e não se levantou.
No outro dia o Ventura não abriu, o irmão recebeu a notícia antes mesmo de ler o bilhete e, uma parte da mãe de Carlos morreu também.
Mas apesar da tristeza que obrigatoriamente restou, com o capacete aberto e o vento na cara, Carlos sorria quando apareceu aquele carro sem luz. Naquele momento ele pensava:

- Eu não sou um imbecil, eu conheci a felicidade!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Humildade sim, Incompetência não!

Fico pensando nas pessoas que me cercam e se elas notam alguns fatos que vejo, ou estão entorpecidas pela “humildade crônica” que a mídia brasileira lança como um gás viciante. Será possível que o mérito e o trabalho não sejam valores mais importantes que a humildade e a simpatia? Veja bem, não afirmo que ser humilde é um defeito, o que digo é que em nosso país o excesso de “coitadismo” é patológico. Vou dar exemplos corriqueiros que só quem já foi atingido pelo gás torpe não consegue ver.
A rede globo que acaba de ser premiada pela sua novela “O caminho das Índias” é a maior endeusadora da humildade viciante. A audiência de suas novelas é soberana há anos em nosso país, e quem não tem TV a cabo – a maioria – muito provavelmente irá sentar na frente da televisão e assistir as histórias contadas pela emissora. Eu mesmo a maior parte da minha vida me vi em frente a esse eletrodoméstico, e não me lembro de ter visto alguma vez um personagem sequer que tenha dinheiro ser considerado honesto e de bom caráter. Os personagens ricos são vilões e conquistaram sua fortuna de alguma maneira ilegítima, ou seja, o mérito de quem tem dinheiro não pode ser adquirido pelo trabalho. Se ele está usufruindo de uma mansão é porque ele trapaceou. Por outro lado, todo o coitadinho, sem levar em consideração a possível incompetência, é o que merece a redenção no céu.
Vou dar outro exemplo, este que atinge a paixão do brasileiro, o futebol. É normal a discussão sobre quem é o melhor jogador do mundo, tanto entre amigos, quanto nos programas esportivos, e nelas noto o vício vindo dos comentaristas esportivos que chega à opinião popular. O português Cristiano Ronaldo arrebenta, porém a humildade realmente não é o seu ponto forte, logo é quase certa a frase de que “ele não é o melhor, não joga para o time”. Porém, aos meus amigos – pois aos comentaristas não tenho acesso – pergunto: “Vocês tem acompanhado os jogos dos candidatos a esse título?”, a resposta surpreendente da maioria é não. Mas, então como estão querendo julgar a competência do atleta se não vêem nem ele e nem os concorrentes jogarem? Simples, ele é bom e sabe que é, e isso perturba os brasileiros que só podem admitir que uma pessoa seja merecedora de admiração se for humilde. Particularmente, não vejo problema em reconhecer a competência desde que seja comprovada, e isso se transfere para momentos rotineiros de nossas vidas.
Devido a essa imposição da grande mídia nacional, quando era mais novo sempre via a palavra ambição como alguma heresia, algo comparado a uma pessoa desonesta. Hoje penso que se seguida de maneira honesta, é uma qualidade do ser humano. No entanto, o povo brasileiro é condicionado a encarar como pecado a busca por gerar lucro e ser uma pessoa bem sucedida que usufrui de sua mansão, a qual obteve de maneira honesta. Não preciso ter uma casa grande, minha ambição é menor que isso, mas admiro muito quem trabalha idoneamente para comprar uma, pois afinal devia ser um de seus sonhos e lutou para isso.
A minha ambição é que eu tenha uma vida confortável, mas que busque riqueza realmente no meu intelecto, e dessa maneira não precise ser humilde e nem simpático. Certamente, seria mal visto, pois assim como quem tem um carro importado, aqueles que buscam outras fontes de conhecimentos, as quais não estão impostas e dominadas pela maioria, são encarados como seres chatos de outro mundo. Por isso não é de se espantar que neste país da simpatia e da humildade tenhamos um presidente que só lembra que veio da classe operária, mas não lembra de trabalho algum, e pior, vangloria-se de não ter estudado e ter alcançado o cargo que exerce atualmente. Uma pessoa famosa disse que “o povo não tem a capacidade de escolher seus líderes”; isto é uma verdade e está totalmente conexa com a incapacidade do brasileiro em escolher um ídolo ou mesmo um simplório personagem de novela que seja digno de seu respeito.
A mídia faz isso propositadamente? A resposta está reluzindo, e se não enxergam é porque os fatos não mudarão, e, não adianta vir um arrogante achar que tem a verdade, pois não será ouvido. O único que poderá ser ouvido é o humilde e simpático, mas acho muito pouco provável que este se dispa destas características e abra os olhos e ouvidos dos descrentes.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Respeito e trabalho*

*Artigo veiculado no Jornal Expresso Ilustrado de 20 de novembro de 2009, em resposta às declarações absurdas sobre Fernando Teixeira Pahim, meu pai, dadas pelo atual prefeito de São Vicente do Sul

O valor da política vem sendo exterminado diariamente, por fatos que alguns cidadãos, os quais se intitulam políticos, protagonizam. Porém, esse problema nos mantinha uma relativa distância, haja vista que era só visto por acontecimentos que se tornam públicos graças à imprensa nacional. Quando as coisas chegam tão perto que nossos olhos vêem, e a cidade que se morou a vida toda é atingida, a percepção faz com que tais fatos entrem de forma mais agressiva na consciência.
Já há algum tempo os cidadãos vicentenses, que moram no município e os que lá não mais estão, mas ainda guardam a cidade na boa memória, acompanham os embates do nosso prefeito com a justiça. Apesar de manter-me atento, sempre me posicionei respeitosamente neutro, acreditando, todavia, que a justiça é que daria o veredicto e faria o seu papel perante as possíveis irregularidades. No entanto, o privilégio de se ter alguém que nos ensine a ter respeito, realmente, não se estende a todos. Pois o senhor que foi escolhido para administrar São Vicente do Sul atualmente, ou nunca soube o que significa essa palavra, ou realmente esqueceu, pois além de deixar de lado os problemas que a nossa cidade tem, desrespeita o povo com declarações de ameaças infundadas e largadas sem qualquer responsabilidade ou prova, e, usa da credibilidade de alguém que já morreu para que possa aparecer e se projetar. Então, se existe algo real a ser apresentado o prefeito deve fazer e, não ficar apenas dando declarações desrespeitosas e aproveitadoras.
O argumento de que está revidando as acusações de alguns vereadores não é válida, pois estes estão lá para legislar e vigiar as atitudes do executivo, e assim o fazem. Já o nobre prefeito deve contentar-se em tentar mudar para melhor a cidade, e, por favor, não mudar a verdade. É um erro muito comum das pessoas acreditarem que aquele que faz mais barulho a se lamentar a favor do povo, seja o mais preocupado com seu bem-estar. E é exatamente isso que o senhor prefeito faz, aproveita o espaço que esse meio de comunicação lhe oferece, para demagogicamente apoiar-se em outras pessoas e tentar projetar sua carreira política, quando deveria governar para a população e não apenas para seus interesses de poder.
Os mais sinceros sentimentos à São Vicente do Sul me levam a desejar que o senhor prefeito ainda tenha tempo de fazer uma administração ao menos regular para o povo vicentense. Mas peço ao Sr. Martins que, por favor, respeite a memória de quem morreu trabalhando pelo município o qual ele também deve trabalhar, e não só sentar-se em uma cadeira e demagogicamente ficar se lamuriando. Seria demais pedir a quem já se habituou a embates com a justiça, que se cale e trabalhe com honra e respeito? Espero que não.