quarta-feira, 28 de abril de 2010

Uma testemunha da situação

Talvez, essa denúncia explique o porquê de nós sermos tão desinformados a respeito do que realmente acontece na sociopolítica nacional, e, claro, ao nosso redor e não podemos saber.



Acho muito sem graça o programa deste cidadão, mas também esta denúncia pode absolvê-lo, junto com seus colegas e equipe de produção. Pois, coitados, fazem as piadas que o "rei" deixa.

sábado, 24 de abril de 2010

O que parece ninguém quer ver

Há coisas que parecem ser esquecidas, e também parece que ninguém tem coragem ou vergonha na cara de falar. Esta gravação não foi ao ar. Por quê? Adivinhem.



É válido salientar que não sou e nunca fui eleitor do Serra. Mas muito menos serei dessa turma citada pelo ator.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O que pode ser maior que a amizade?

A cidade naquele tempo ainda tinha calçamento só nas ruas principais. Era uma típica cidadezinha do interior, igual a qualquer outra. Praça rodeada pela Igreja, Correio, Banco e algum comércio. Os moradores, é claro, não eram os mesmos de outras cidades, mas os assuntos e as fofocas não os deixavam muito diferentes. Aquele lugar, para alguns, se não era o fim do mundo estava no caminho, porém para outros era o próprio paraíso. Para Saulo e Vilsinho era até mais que o paraíso.
Os dois meninos nasceram naquele lugar e ali descobriram as melhores sensações da vida, aquelas que a pessoa vive na infância e adolescência e por serem entremeadas por tantos outros bons momentos não passam de acontecimentos fugazes que depois são lembrados muitas vezes com saudade por toda a vida. Eram vizinhos, tinham quase a mesma idade, Saulo era um ano e meio mais velho que Vilsinho e por isso mantinha uma natural liderança entre a dupla, apesar do mais novo sempre dar demonstrações de que era mais esperto no colégio, pois eram colegas já que Saulo era repetente e, também na vida. Esse entrosamento permaneceu até os 17 anos e meio completados de Saulo, pois depois, exceto por algumas cartas no início, não mantiveram mais contato, devido ao o pai de Vilsinho ter sido promovido e fora morar na capital levando a família, naturalmente. Saulo continuou ali, respirando o mesmo ar de sempre e como sempre vivia feliz, pois era aquilo que conhecia e o satisfazia. Havia casado e tinha um filho de três anos.
Naquela manhã ele ficou ainda mais contente quando no meio de suas correspondências avistou uma carta com aquela letra que reconhecera um pouco melhor, mas que era aquela mesma de vários anos de estudos e, é claro, de muitas colas passadas. Então, ao ler o remetente confirmou com euforia que sim, era o seu amigo que após muitos anos voltava a se comunicar. A felicidade transformou-se em euforia quando ao ler soube que no final de semana o seu velho amigo faria uma visita breve à cidade. Entrando em casa, já foi logo falando em voz alta para a mulher que estava na cozinha:

- Meu amor, lembra do Vilsinho? Meu amigo de infância... - falava quando foi interrompido pela mulher.

- Não fala tão alto, Saulo, o menino está doente e faz pouco, pegou no sono.

Então, ele ao chegar à cozinha recomeçou em tom mais brando.

- O Vilsinho, lembra? Ele me mandou esta carta e disse que vem me visitar no final de semana, vamos fazer um bom jantar para ele e, daí como ele disse que está de férias se insistirmos quem sabe ele fica mais um tempo.

E ficou uma boa meia hora falando sem parar no amigo à mulher. Só parou porque ela não se mostrava muito empolgada e disse que viajaria com o bebê para a casa da mãe dela que estava de aniversário, mas que entendia a situação e não se importaria se ele ficasse para recepcionar o amigo.
Aquela semana foi toda assim, Saulo contando feliz que o velho amigo lhe escrevera e viria visitá-lo. Repetia que o Vilsinho sempre fora uma pessoa fiel, educada, inteligente e humilde. Muitos conheciam e lembravam-se do antigo colega e sabiam que realmente ele era uma boa pessoa, mas Saulo parecia que a cada ano que passara ele aumentara a admiração pelo amigo.
Então chegou sábado, Vilson chegaria às 17 horas e 10 minutos de ônibus. Saulo pensava: “É um homem humilde, deve estar bem, mas prefere vir de ônibus para não parecer arrogante”. Enquanto se vestia, lembrava de como Vilsinho não era egoísta e, emprestava seus melhores brinquedos, pois o pai de Saulo não tinha tantas posses como o do amigo. Ria ao lembrar-se do cavalheirismo do companheiro com as meninas e, quantas ele havia conseguido dar uns beijos devido à “ajudinha” retórica desse menino que agora era um homem, pois nem parecia, mas havia passado 14 anos. Terminou de se arrumar e foi à rodoviária buscar o grande amigo.
Vilsinho sempre fora mais baixinho que Saulo, além de ser mais introspectivo que o amigo, que era engraçado e agradável com todos. Vilsinho pensava e Saulo que era mais sociável e tinha mais facilidade de comunicação colocava em prática. Uma dupla e tanto. Por isso que quando um homem alto e espadaúdo, com cabelos negros e lisos, que por serem vastos dava um ar de pessoa forte, desceu do ônibus Saulo quase não o reconheceu. Apenas confirmando quando ele disse:

- Então aí está o grande Saulo das meninas! Mas como está feio.

Saulo deu um sorrisinho de canto de boca, que saiu devido à mistura de surpresa pela imponência do amigo e, pela quase vergonha de estar com uma aparência tão pior, mas Vilson nem notou e foi direto dando um acalorado e longo abraço, o qual fez com que o sorrisinho tornar-se um grande e largo sorriso.

- E então, como está a capital da nossa infância? O que há para fazermos? As meninas ainda continuam bonitas? – E dava risada indo em direção ao bagageiro.

- Estou casado, Vilsinho – Saulo respondeu sério.

O elegante amigo parou, olhou e disse já rindo.

- É tem umas que conseguem derrubar um grande homem, mas isso é remediável – E riu outra vez.

Mais uma vez sem risos veio a resposta.

- Tenho um filho. Ele tem três anos.

A surpresa do visitante foi notada por todos que ali estavam

- Mas seu traidor. Como é que faz um filho e não me avisa?

E antes que houvesse alguma resposta Vilsinho concluiu.

- Estou brincando, sei que me ausentei. Mas enfim, que bom! Uma notícia boa ao menos – E lançou ao amigo um olhar debochado.

Saulo fingiu não entender a piada maliciosa, ou talvez, não tenha acreditado que o amigo fosse capaz de ter mudado tanto assim, a ponto de desvalorizar uma coisa que ele tanto gostava e se orgulhava. Então seguiu sério, mudou de assunto e perguntou amenidades sobre a viagem enquanto ia ajudando Vilson com as duas malas bem pesadas. Foi aí que lhe ocorreu de perguntar se o amigo estava de passagem, o porquê de tanta bagagem.

- Sabia que não ia ficar só um dia aqui, ou não traria tanta bagagem, não?

- Havia lhe dito na carta que estava de passagem, tenho outros lugares para visitar, e como aqui era caminho não havia como não matar a saudade do amigão - disse arrumando uma das malas no ombro.

O caminho até a casa não era longo, mas o visitante não parou um segundo de falar, por isso acabou descobrindo que a mulher e o filho de Saulo estariam viajando. O que o deixou desapontado e um pouco triste, pois queria conhecer o filho e ver como o “Saulo das meninas” se comportava perto da esposa. Mas, esse desapontamento foi coisa de segundos e para encerrar esse sentimento falou:

- Bom, não vais ser dessa vez que verei o Saulinho, mas por outro lado estamos livres para fazer uma festinha e, afinal, tenho saudades de algumas beldades daqui.

Saulo riu e disse recuperando a seriedade:

- Você não tem jeito e saiba que as tais beldades também casam. Você não?

Vilsinho soltou uma gargalhada.


******************

Enquanto o velho amigo tomava banho, o anfitrião organizava a janta e preparava o seu melhor vinho para os dois beberem, pois a noite seria das mais agradáveis além de terem muitos assuntos atrasados para colocarem em dia. Ouvindo o barulho do chuveiro, Saulo tentava tirar da cabeça o fato do amigo ter mudado tanto fisicamente e, parecer tão elegante de aparência e não ter constituído família, “será que ele está bem de dinheiro?”, pensava. Então lhe ocorreu que Vilson poderia estar precisando de dinheiro, ou quem sabe envolvido em alguma enrascada. “Amigo é para isso”, pensou em voz alta e decidiu não tocar no assunto, só se o amigo quisesse. Seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de Vilson na cozinha, esta que era ampla, pois a mulher de Saulo era de origem italiana e gostava de ficar boa parte do seu tempo na cozinha, o marido acabou se adaptando, assim como em muitas outras coisas; pelo casamento.

- Gostei da tua casa, é aconchegante mesmo, parece a casa das nossas avós – falou Vilsinho.

- Pois é, gosto daqui mesmo.

E a partir daí sentados naquela grande mesa, que ficava bem ao centro, o papo e o vinho eram derramados aos litros. Tinham que matar a saudade, Saulo se revigorava ao lembrar de coisas sobre ele que havia esquecido. As reminiscências eram tantas, realmente falavam de um passado tão bom, riam de uma vida que só o que se tinha era a vontade de viver o momento e, com toda a certeza do mundo, esperar pelo certo futuro próspero. Eram porres, transas, brigas ganhas, fugas de brigas... tanta coisa que levaram nisso mais de horas e duas garrafas de vinho. Foi tão bom que não chegaram a cogitar o presente, o passado de Vilson e o futuro. No entanto, o bom nunca se afasta tanto que outros ruídos que atrapalham a harmonia deixada no ar. De repente, o amigo que estava ali de visita falou em tom vago:

- Pois como pode o rapaz que era esperto, se dava bem com todos e tudo, além de traçar as melhores mulheres da cidade se contentar em ficar aqui, assim?

Na hora o sorriso de Saulo foi substituído por um olhar sério.Vilson vendo que tinha falado algo que ofendera o amigo, tentou consertar:

- Eu sei amigão, você fez a sua escolha, e, quem sabe qual é a certa? Só saberemos algum dia, mas não agora – E abriu os braços oferecendo-se a um abraço.

Saulo sorriu, concordou com um movimento de cabeça e falou:

- Falamos, falamos e esqueci de perguntar. E você, a última vez que soube, havia tornado-se um bacharel em direito, está trabalhando muito?

- Sabe, Saulão, que mal cheguei a trabalhar como advogado. Tinha um dinheiro guardado e investi na bolsa, então dei um pouco de sorte – falou rindo – e multipliquei um bom pouco esse dinheiro.

- Hum...você sempre foi esperto em matemática – disse Saulo não demonstrando surpresa.

- Pois é, mas a bolsa é coisa muito perigosa, vendi a maior parte e resolvi comprar imóveis. Isso sim é segurança! Todo final de mês o meu dinheirinho tava lá... – disse Vilson até ser interrompido pelo amigo.

- “Tava lá”? Vai me dizer que mudou de ramo mais uma vez?

- Não, não mudei. Vendi algum imóvel e comprei um caminhão, o que está me dando um bom lucro, tão bom que essa viagem é para ir a uma cidade vizinha comprar outro e, se tudo correr vou aumentando a frota e cresço nesse setor de transportes.

- Investe na bolsa, tem imóveis e vai ser empresário no setor de transportes? Deve estar tirando uma grana grossa, meu amigo – Falou Saulo e logo depois deu um assobio, desta vez mostrando surpresa.

- É, não se pode ficar parado na mesma – disse Vilsinho sorrindo.

Os dois ficaram em silêncio quase um minuto, Saulo secou a sua taça de vinho, fez sinal para o amigo fazer o mesmo, que o fez, então esvaziou a garrafa enchendo as duas taças.

- Toda essa vida e não tem mulher, não tem filhos? – disse Saulo, em voz baixa e encarando o amigo.

Depois de soltar uma gargalhada, Vilson respondeu:

- Para que, meu amigo velho? Filho até quero ter, mas mulher...? Não preciso – e rindo – aliás, preciso demais, por isso uma não me é suficiente. Tenho problemas demais no trabalho e elas não conseguirão resolver e tampouco eu conseguirei resolver os delas. Concorda?
- Não concordo, mas não discordo – respondeu aquele homem morador daquela cidadezinha tão acolhedora.

E mudando o tom da conversa com uma cara de criança que aprontou todas, disse aquele que morara há anos atrás na tal cidade:

- Tá, mas não falemos de assuntos maçantes. Tenho que te contar sobre umas viagens e umas mulheres que tu não vai acreditar.

Ali naquela casa onde Saulo depositara todo o seu futuro e orgulhava-se tanto do marido e pai que era. Vilson continuou com entusiasmo contando as suas peripécias, enquanto o amigo só escutava e fingia rir. Isto demorou pouco mais de meia garrafa de vinho até o anfitrião anunciar que estava com muito sono e precisava dormir. Vilsinho lamentou, mas nada pode fazer.

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Já era 11 horas da manhã quando a esposa de Saulo chegou com seu filho. Não ficou contente com a bagunça que encontrara na cozinha. Taças e pratos sujos, mesa e toalha manchadas, então foi rápido ao quarto acordar o marido. Abriu as cortinas e o sol inundou o quarto quee parecia conseguir cutucar Saulo.

- Que horas é? – Disse Saulo.

- Quase meio dia, que vergonha – Respondeu ríspida a esposa.

- Vilson ta aí, meu amor, dá um desconto.

- Acho que estava, tem um bilhete lá em cima daquela bagunça que vocês deixaram – Falou a mulher e fez um movimento negativo de cabeça.

Então o marido levantou-se, a cabeça doía, e foi até a cozinha. Encontrou o bilhete de Vilsinho que dizia o seguinte:

“Amigo Saulo, fico feliz por a nossa amizade continuar intacta. Desculpa, mas tive que sair cedo, pois a vida me chama. Mande lembranças para a tua esposa e a próxima vez que eu vier trago uma lembrancinha para o menino. Do amigo Vilsinho.”

Então, com aquele bilhete na mão, Saulo lembrou de tudo o que ocorrera na noite passada, toda a vida que passou por seus sorrisos e palavras. Ficou em silêncio olhando aquele pequeno papel. O que acontecera com ele? O que acontecera com Vilson? Não sabia, mas sentiu uma coisa ruim no seu peito.

- E então, como tá o teu grande amigo? – Perguntou a sua esposa vindo em sua direção com o filho e uma mamadeira.

Pegando o seu filho e a mamadeira para dar-lhe de mamar, analisou a criança, pensou um pouco e respondeu:

- Não sei, o Vilson não é o mesmo. Está muito arrogante.

terça-feira, 13 de abril de 2010

The Beatles - In my life

No dia 10 de abril de 1970 o mundo via a banda mais influente de todos os tempos se desfazer. A data só não é tão triste devido ao legado que essa rapaziada deixou (Inclusive o lançamento que aconteceria 24 anos depois). Uma das coisas que mais me interessam é a música, então nada mais justo que ela ser assunto do blog e, nada melhor que iniciar falando desta data e homenageando esta banda:

Oasis - Supersonic

Coincidentemente, ou não, no mesmo dia 10 de abril, só que de 1994, essa banda de filhos de operários de Manchester lançou o seu primeiro single, "Supersonic". Assim lançava-se a importantíssima banda Oasis:

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cavalidades e Individualismo

Leiam este pensamento: “Se quem dá coices são os cavalos e não a cavalidade, do mesmo modo quem age é o homem concreto e não a sociedade”. Forte, não? Realmente para alguns à primeira interpretação vai parecer que é uma ideia bastante drástica. Estas palavras foram escritas pelo filósofo Olavo de Carvalho e tem bastante peso retórico e também toneladas de esclarecimento sobre como viver, ou pelo menos o princípio de como seria para existir um mundo melhor. Explico a minha opinião a seguir.
Fala-se muito, atualmente, no individualismo do ser humano e de como por ser assim este é egoísta. A vida individualista do atual sistema é um monstro de sete cabeças que come criancinhas, no entanto, isso nada mais é do que a repetição do que a grande mídia excessivamente repete. Mas, a única forma de que haja um mundo melhor é de que comece pela individualidade do homem, pois a partir dele é que começa as transformações, baseadas no saber de que cada indivíduo possui seus direitos e deveres.
Quem pensa no comum, acredito que comete o erro de ver o cidadão apenas com direitos a ser atendidos, desta maneira, acredita que todos têm o direito de viver bem e de ter uma vida que todos sonham. Mas não, esquecem-se que o direito que temos é de buscar como viver bem, ou seja, cada um, da forma que achar correta, é autorizado alcançar esse objetivo. Se o cidadão acha que será feliz tendo quatro filhos, uma mulher e ganhando 50 mil reais por mês, ele tem o direito de trabalhar para que isso seja possível. Só que para isso não se pode esquecer que assim como temos direitos, temos deveres.
E é nos deveres que quem fala mal do individualismo, me parece, começa a não entendê-lo. Pois pense se cada um fizesse tudo correto, usasse seus direitos para crescer e fazer crescer a sua família respeitando e cumprindo os seus deveres, o mundo não seria melhor? Cada pessoa pode crescer e ser correta, sem desrespeitar ninguém e, se cada um tiver a consciência do que é certo e o que é errado, (e isso não é difícil, pois o habitual é que começaríamos aprender isso quase no mesmo momento em aprendemos a falar) TODOS viveriam bem.
O individualismo da sociedade atual, se fosse feito por pessoas corretas, só fomentaria o desenvolvimento, pois ao invés de haver atentados ao crescimento do outro cidadão cada qual buscaria o seu lugar na sociedade. É claro, aumentaria a competitividade, mas isso não é bom? Até as plantas em uma janela mudam de posição para buscar o melhor lugar ao sol, porque o homem não pode competir saudavelmente? Então, acredito que o filósofo Olavo de Carvalho quis dizer em sua retórica que não adianta teóricos, pseudo-pensadores e políticos virem com teorias baseadas na mudança da sociedade em sua amplitude, que não será por aí o caminho da transformação.
A mudança virá da tão famigerada individualidade, da tão famosa honestidade e não da mudança de sistema e nem da intervenção estatal enxertando políticas medíocres de assistência social, pois isso não é desejar um mundo melhor, é sim um plano de poder, mas isso deixemos para outro texto.